quarta-feira, 23 de julho de 2014

Portas

Tudo começou com uma porta.
A porta que eu não abro é o caminho que eu não sigo.
É o caminho que eu não sei aonde vai dar nem nunca vou saber.
É o eu que eu nunca vou ser.
As portas que eu não abro gritam na minha cabeça: "E se..."!,"E se..."!,"E se..."!
Morro de não-arrependimento.
Renasço outro, disposto a abrir uma porta. Abro. Está vazia.
O que tinha lá já foi embora.
E se... E se...
De novo.
Se uma não deu certo, nenhuma das outras vai dar.
Não abro mais porta alguma. Os anos passam.
Certo dia, no sofá, morro.
De indiferença.
O caixão parece com uma porta. Entro. Não gosto. Agora não há mais tempo.
Tanto faz.

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